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sábado, 22 de janeiro de 2011

MÉTODO DE ENSINO

OS MÉTODOS DE ENSINO

Em função dos métodos de ensino estar obrigatoriamente vinculados aos objetivos gerais e específicos, as decisões de selecioná-los para utilização didática, depende de uma metodologia mais ampla do processo educativo, portanto, veremos a seguir os princípios e diretrizes, métodos e procedimentos organizativos:

-Conceito de método de ensino

São as ações do professor no sentido organizar as atividades de ensino, a fim de que os alunos possam atingir os objetivos em relação a um conteúdo específico, tendo como resultado a assimilação dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas dos alunos.

- A relação objetivo-conteúdo-método

Essa relação tem como característica a interdependência. Da mesma forma que o método é determinado pela relação objetivo-conteúdo, pode também influir na determinação de objetivos e conteúdos, ou seja, os métodos na proporção que são utilizados para a transmissão e assimilação de determinadas matérias, atuam na seleção de objetivos e conteúdos.

- Os princípios básicos do ensino

Apesar de os estudos que vêm sendo desenvolvidos por educadores sobre esses assuntos ainda serem insuficientes, as exigências práticas requerem certos indicativos para orientação dos professores em relação aos objetivos do ensino.

- Ter caráter científico e sistemático

O professor deve buscar a explicação científica de cada conteúdo e orientar o aluno para o estudo independente que utilize os métodos científicos da matéria.

- Ser compreensível e possível de ser assimilado

A combinação desse princípio com o caráter científico e sistemático compatibiliza as condições prévias para assimilação de novos conteúdos pelos alunos. O professor deve dosar o grau de dificuldade, a fim de superar a contradição entre as condições prévias e os objetivos, e periodicamente fazer um diagnóstico do nível de conhecimento e desenvolvimento dos alunos, analisando sistematicamente a correspondência entre o volume de conhecimento e as condições do grupo de alunos, obtendo aprimoramento e, principalmente, atualização dos conteúdos da matéria que leciona, tornando-a, dessa forma, compreensíveis e assimiláveis pelos alunos.

- Assegurar a relação conhecimento-prática

A principal característica dessa relação é o estabelecimento de vínculos entre os conteúdos que são ministrados pelos professores com a real aplicabilidade prática do conhecimento adquirido pelo aluno, ou seja, devem-se mostrar aos alunos que os conhecimentos são resultados de experiências de gerações anteriores que visavam atender a uma necessidade prática.

- Assentar-se na unidade ensino-aprendizagem

Os métodos de ensino utilizados pelo professor devem ser claros e estimular os alunos à atividade mental, melhor dizendo, o método de ensino deve fazer com que o aluno utilize suas habilidades para construir o conhecimento e não simplesmente "Aprender fazendo". O professor deve esclarecer sobre os objetivos da aula e sobre a importância dos novos conhecimentos na seqüência dos estudos, ou para atender a necessidades futuras.

- Garantir a solidez dos conhecimentos•• À principal exigência para o professor atender a esse princípio é a utilização com freqüência da recapitulação da matéria, da aplicação de exercícios de fixação e para alunos que apresentem dificuldades e sistematização dos conceitos básicos da matéria, a aplicação de tarefas individualizadas.

- Levar à vinculação trabalho coletivo - particularidades individuais

O professor, sem deixar de atentar para as características individuais de seus alunos, deve empenhar-se e organizar-se para atender o interesse coletivo.

CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS DE ENSINO

Em função das características de cada matéria, o professor organiza e seleciona os métodos de ensino e vários procedimentos didáticos.

Os métodos de ensino podem ser classificados de acordo com um critério básico, segundo os seus aspectos externos (os conteúdos de ensino):

1. Método de exposição pelo professor

Nesse método, a atividade dos alunos é receptiva, embora, não necessariamente passiva, cabendo ao professor a apresentação dos conhecimentos e habilidades, que podem ser expostos das seguintes formas:

• Exposição verbal - como não há relação direta do aluno com o material de estudo, o professor explica o assunto de modo sistematizado, estimulando nos alunos motivação para o assunto em questão.

• Demonstração – o professor utiliza instrumentos que possam representar fenômenos e processos, que podem ser, por exemplo: visitas técnicas, projeção de slides.

• Ilustração - é utilizada pelo professor, tal como na demonstração, a apresentação de gráficos, seqüências históricas, mapas, gravuras, de forma que os alunos desenvolvam sua capacidade de concentração e de observação.

• Exemplificação - nesse processo, o professor faz uma leitura em voz alta, quando escreve ou fala uma palavra, para que o aluno observe e depois repita. A finalidade é ensinar ao aluno o modo correto de realizar uma tarefa.

2. Método de trabalho independente

Esse método consiste na aplicação de tarefas para serem resolvidas de forma independente pelos alunos, porém dirigidas e orientadas pelo professor. A maior importância do trabalho independente é a atividade mental dos alunos, para que isso ocorra de forma adequada é necessário que as tarefas sejam claras, compreensíveis e à altura dos conhecimentos e da capacidade de raciocínio dos alunos, tendo o professor que assegurar condições para que o trabalho seja realizado e acompanhar de perto a sua realização.

3. Método de elaboração conjunta

A forma mais típica desse método é a conversação didática, onde o professor através dos conhecimentos e experiências que possui, leva os alunos a se aproximar gradativamente da organização lógica dos conhecimentos e a dominar métodos de elaboração das idéias independentes.

A forma mais usual de aplicação da conversação didática é a pergunta, tanto do professor quanto dos alunos. Para que o método tenha validade e aplicabilidade é necessário que a preparação da pergunta seja feita com bastante cuidado, para que seja compreendida pelo aluno. Por isso, esse método é reconhecido como um excelente procedimento para promover a assimilação ativa dos conteúdos, suscitando a atividade mental, através da obtenção de respostas pensadas sobre a causa de determinados fenômenos, avaliação crítica de uma situação, busca de novos caminhos para soluções de problemas.

4. Método de trabalho em grupo

Esse método consiste, basicamente, em distribuir temas de estudo iguais ou diferentes a grupos fixos ou variáveis, compostos de três a cinco alunos, e que para serem bem sucedidos é fundamental que haja uma ligação orgânica entre a fase de preparação, a organização dos conteúdos (planejamento) e a comunicação dos seus resultados para a turma.

Entre as várias formas de organização de grupos, destacamos as seguintes:

• Debate - consiste em indicar alguns alunos para discutir um tema polêmico perante a turma.

• Philips 66 - para se conhecer de forma rápida o nível de conhecimento de uma classe sobre um determinado tema, o professor organiza seis grupos de seis alunos que discutirão a questão em poucos minutos (seis minutos) para apresentarem suas conclusões. Pode ser organizado também em cinco grupos de cinco alunos, ou ainda em dupla de alunos.

• Tempestade Mental - esse método é utilizado de forma a ser dado um tema, os alunos dizem o que lhes vem à cabeça, sem preocupação com censura. As idéias são anotadas no quadro-negro e finalmente só é selecionado o que for relevante para o prosseguimento da aula.

• Grupo de Verbalização – Grupo de Observação (GV–GO) - nesse método, parte da classe forma um círculo central (GV) para discutir um tema, enquanto os demais formam um círculo em volta para observar (GO). O GO deve observar, se os conceitos empregados na discussão são corretos, se os colegas estão lidando bem com a matéria, se estão todos participando, etc.

• Seminário - Um aluno ou um grupo de alunos prepara um tema para apresentá-lo à classe.

5. Atividades Especiais

São aquelas que complementam os métodos de ensino e que concorrem para a assimilação ativa dos conteúdos. Podemos citar como exemplo:

• Estudo do meio - é a interação do aluno com sua família, com seu trabalho, com sua cidade, região, país, através de visitas a locais determinados (órgãos públicos, museus, fábricas, fazendas, etc.), todavia, o estudo não se restringe apenas a visitas, passeios, excursões, mas, principalmente, à compreensão dos problemas concretos do cotidiano, pois não é uma atividade meramente física e sim mental, para que, através dos conhecimentos e habilidades já adquiridos, o aluno volte à escola modificando e enriquecido, através de novos conhecimentos e experiências.

• Planejamento - O professor deve visitar o local antes e colher todas as informações necessárias para depois, em sala de aula, junto com os alunos, planejar as questões a serem levantadas e os aspectos a serem observados e as perguntas a serem feitas ao pessoal do local a ser visitado.

• Execução - Com base nos objetivos do estudo e o tipo de atividade planejado e com a orientação do professor, os alunos vão tomando notas, conversando com as pessoas, perguntando sobre suas atividades, de modo que os objetivos planejados sejam atingidos adequadamente.

• Exploração dos resultados e avaliação - através da preparação de um relatório sobre as visitas, os alunos registrarão o que aconteceu, o que foi visto, o que aprenderam e que conclusões tiraram. Os resultados serão utilizados para a elaboração de provas, e para avaliar se os objetivos foram alcançados.

MEIOS DE ENSINO

São as ferramentas (recursos materiais) utilizadas pelo professor e pelos alunos para organização e condução metódica do processo de ensino e aprendizagem. Como exemplo, podemos citar: quadro-negro, projeção de slides, filmes, mapas, etc. Os professores, de um modo geral, devem dominar com segurança esses meios de ensino, conhecendo-os e aprendendo a utilizá-los de forma didática, criativa e adequada.

O PROCESSO

O processo de ensino se caracteriza pela combinação de atividades do professor e dos alunos. Estes, pelo estudo das matérias, sob direção do professor, vão atingindo progressivamente o desenvolvimento de suas capacidades mentais. A direção eficaz desse processo depende do trabalho sistematizado do professor que, tanto no planejamento como no desenvolvimento nas aulas conjuga objetivos, conteúdos, métodos e formas organizativas do ensino.
Os métodos são determinados pela relação objetivos-conteúdos, e referem-se aos meios para alcançar os objetivos gerais e específicos do ensino, ou seja, ao “como” do processo de ensino, englobando as ações a serem realizadas pelo professor e pelos alunos para atingir objetivos e conteúdos. O conceito mais simples de “método” é o de caminho para atingir um objetivo. Na vida cotidiana estamos sempre perseguindo objetivos. Mas estes não se realizam por si mesmos, sendo necessária a nossa atuação, ou seja, a organização de seqüências de ações para atingi-los. Os métodos são, assim, meios adequados para realizar os objetivos.
O professor, ao dirigir e estimular o processo de ensino em função da aprendizagem dos alunos utiliza intencionalmente um conjunto de ações, passos condições externas e procedimentos, que chamamos de métodos de ensino. Por exemplo, à atividade de explicar a matéria corresponde o método de exposição; à atividade de estabelecer uma conversação ou discussão com a classe corresponde o método de elaboração conjunta. Os alunos, por sua vez, sujeitos da própria aprendizagem, utilizam-se de métodos de assimilação de conhecimentos. Por exemplo, à atividade dos alunos de resolver tarefas corresponde o método de resolução de tarefas; á atividade que visa o domínio dos processos de conhecimentos científicos numa disciplina corresponde o método investigativo; à atividade de observação corresponde o método de observação e assim por diante.
A escolha e organização dos métodos de ensino devem corresponder á necessária unidade objetivos-conteúdos-métodos e forma de organização de ensino e às condições concretas das situações didáticas. Em primeiro lugar, os métodos de ensino dependem dos objetivos imediatos da aula: introdução de matéria nova, explicação de conceitos, desenvolvimento de habilidades, consolidação de conhecimento etc. Ao mesmo tempo, depende de objetivos gerais da educação previstos do plano de ensino pela escola ou pelo professor.
Em segundo lugar, a escolha e organização dos métodos dependem dos conteúdos específicos e dos métodos peculiares de cada disciplina e dos métodos de sua assimilação.
Em terceiro lugar, em estreita relação com as condições anteriores, a escolha de métodos implica o conhecimento das características dos alunos quanto á capacidade de assimilação conforme a idade e nível de desenvolvimento mental físico e quanto suas características sócio-culturais e individuais
Em resumo, podemos dizer que os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir os objetivos do trabalho docente em relação ao conteúdo específico. Eles regulam a forma de interação entre ensino e aprendizagem, entre o professor e os alunos, cujo resultado é assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas e operativas dos alunos.
Os princípios básicos do ensino
Os princípios básicos do ensino são aspectos gerais do processo de ensino que expressam os fundamentos teóricos de orientação do trabalho docente. Os princípios do ensino levam em conta à natureza da prática educativa escolar numa determinada sociedade, as características do processo de conhecimento, as peculiaridades metodológicas das matérias e suas manifestações concretas na prática docente, as relações entre o ensino e o desenvolvimento dos alunos, as peculiaridades psicológicas de aprendizagem e desenvolvimento conforme idades. As exigências práticas da sala de aula requerem algumas indicações que orientam a atividade consciente dos professores no rumo dos objetivos gerais e específicos do ensino.
Ter caráter científico sistemático
Os conteúdos de ensino devem estar em correspondência com os conhecimentos científicos atuais e com os métodos de investigação próprios de cada matéria.
Recomenda ao professor:
Buscar explicação científica de cada conteúdo da matéria;
Orientar o estudo independente dos alunos na utilização dos métodos científicos da matéria;
Certificar da consolidação da matéria anterior por parte dos alunos, antes de introduzir a matéria nova;
Assegurar no plano de ensino e na aula a articulação seqüencial entre os conceitos e as habilidades;
Assegurar a unidade objetivos-conteúdos-métodos;
Organizar as aulas de modo que sejam evidenciadas as inter-relações entre os conhecimentos da matéria e entre estes e as demais matérias;
Aproveitar, em todos os momentos, as possibilidades educativas da matéria no sentido de formar atitudes e convicções.
Ser compreensível e possível de ser assimilado
Recomendações de práticas para atender a este princípio:
Dosagem no grau de dificuldades no processo de ensino, tendo em vista superar a contradição entre as condições prévias e os objetivos a serem alcançados;
Diagnóstico periódico do nível de conhecimentos e desenvolvimentos dos alunos;
Análise sistemática da correspondência entre o volume de conhecimentos e as condições concretas do grupo de alunos;
Aprimoramento e atualização, por parte do professor, nos conteúdos da matéria que leciona como condição de torná-los compreensíveis e assimiláveis pelos alunos.
Assegurar a relação conhecimento-prática
Algumas recomendações práticas para atender a este princípio:
• Estabelecer, sistematicamente, vínculos entre os conteúdos escolares, as experiências e os problemas da vida prática;
• Exigir dos alunos que fundamentem, com o conhecimento sistematizado, aquilo que realizam na prática;
• Mostrar como os conhecimentos de hoje são resultado da experiência das gerações anteriores em atender necessidades práticas da humanidade e como servem para criar novos conhecimentos para novos problemas.
Assentar-se na unidade ensino-aprendizagem
Algumas recomendações práticas em relação a este princípio:
• Esclarecer os alunos sobre o objetivo da aula e sobre a importância de novos conhecimentos para a seqüência dos estudos, ou para atender necessidades futuras;
• Provocar a explicitação da contradição entre idéias e experiências que os alunos possuem sobre um fato ou objeto de estudo e o conhecimento científico sobre esse fato ou objeto de estudo;
• Criar condições didáticas nas quais os alunos possam desenvolver métodos próprios de compreensão e assimilação de conceitos e habilidades (explicar como resolver um problema, tirar conclusões sobre dados da realidade, fundamentar uma opinião seguir regras para desempenhar uma tarefa etc.);
• Estimular os alunos a expor e defender pontos de vistas, conclusões sobre uma observação ou experimento e a confrontá-los com outras opiniões;
• Formular perguntas ou propor tarefas que requeiram a exercitação do pensamento e solução criativa;
• Criar situações didáticas (discussões, exercícios, provas, conversação dirigida etc.) em que os alunos possam aplicar conteúdos a situações novas ou a problemas do meio social;
• Desenvolver formas didáticas variadas de aplicação do método de solução de problemas.
Garantir a solidez dos conhecimentos
Este princípio se apóia na afirmação de que o desenvolvimento das capacidades mentais e modos de ação é o principal objetivo do processo de ensino de que é alcançado no próprio processo de assimilação de conhecimentos, habilidades e hábitos. A assimilação de conhecimento não é conseguida se os alunos não demonstram resultados sólidos por um período mais longo ou menos longo. O atendimento desse princípio exige do professor freqüente recapitulação da matéria, exercícios de fixação, tarefas individualizadas a alunos que apresentem dificuldades e sistematização dos conceitos básicos da matéria.
Levar à vinculação trabalho coletivo-particularidade individuais
O trabalho docente deve ser organizado e orientado para educar a todos os alunos da classe coletivamente. O professor deve empenhar-se para que os alunos aprendam a comporta-se tendo em vista o interesse de todos, ao mesmo tempo em que presta atenção ás diferenças individuais e as peculiaridades de aproveitamento escolar.
Para isso, podem ser adotadas as seguintes medidas:
• Explicar com clareza os objetivos da atividade docente, as expectativas em relação aos resultados esperados e as tarefas em que os alunos estarão envolvidos;
• Desenvolver um ritmo de trabalho de acordo com o nível máximo de exigências que se pode fazer para aqueles grupos de alunos;
• Prevenir a influência de particularidades desfavoráveis ao trabalho escolar (colocar nas primeiras carteiras os alunos com problemas de visão ou audição dirigir-se com mais freqüência a alunos distraídos, dar mais detalhes de uma tarefa a alunos mais lentos);
• Considerar que a capacidade de assimilação da matéria, a motivação para o estudo e os critérios de valorização das coisas não são iguais para todos os alunos: tais particularidades requerem uma atenção especial do professor a fim de colocar alunos isolados em condições de participar no coletivo.


REFERÊNCIA
LIBÂNEO, JOSE CARLOS. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.


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